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Helena no mundo das distrações



 Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias".

Fernando Pessoa 

Pois é assim que deve ser. Cuide da sua vida, lide com as suas dificuldades, apare seus defeitos, aprimore suas qualidades e cure suas mágoas ao invés de ciscar pela vida alheia, se incomodando com que o outro faz ou deixa de fazer. Limpe seus olhos antes de falar sobre o cisco nos olhos do outro.


Helena no mundo das distrações:

Era uma vez um mundo enredado em uma vasta teia invisível, onde cada fio representava uma conexão, uma distração ou um julgamento. Nesse mundo, as pessoas caminhavam com olhos voltados para fora, sempre atentos ao que os outros faziam, opinando, comparando e vivendo na ilusão de que podiam entender a vida alheia apenas por vislumbres superficiais.

Neste cenário, havia uma mulher chamada Helena. Ela era conhecida por sua curiosidade sobre a vida dos outros. Todos os dias, ela dedicava horas observando as redes sociais, conversando sobre decisões de conhecidos e medindo seu próprio valor pelos sucessos e fracassos alheios. Mas, com o tempo, Helena começou a sentir algo estranho: uma inquietação constante, um vazio que nem a aprovação dos outros nem as críticas incessantes conseguiam preencher.

Uma noite, após um dia particularmente exaustivo de opiniões e comparações, Helena sonhou com um jardim. Nesse jardim, havia uma senhora de cabelos brancos, que cuidava com paciência de um pequeno espaço repleto de flores. As rosas eram vibrantes, mas algumas tinham espinhos, enquanto outras ainda estavam brotando. A senhora parecia alheia ao mundo ao redor, completamente absorvida em seu trabalho.

Curiosa, Helena se aproximou e perguntou: 

— Por que você cuida apenas do seu jardim? Há tantas flores belas por aí. Não seria melhor aprender com elas?

A senhora sorriu, sem se deter no cuidado de uma rosa que parecia murcha.

— Minha querida, cada jardim é único. Eu não conheço os solos, as chuvas ou os ventos que moldaram as flores dos outros. Mas conheço o meu. Conheço o perfume das minhas rosas e os espinhos que preciso aparar. Não há sabedoria maior do que essa: regar o que é meu.

Helena acordou com a frase ecoando em sua mente. Nos dias que se seguiram, ela percebeu que muito do seu tempo havia sido gasto regando as árvores alheias, enquanto seu próprio jardim estava negligenciado. As flores murchas eram suas qualidades esquecidas, os espinhos eram mágoas que ela evitava curar, e o solo seco era sua alma, sedenta por atenção e cuidado.

Inspirada por uma nova compreensão, Helena decidiu mudar. Aos poucos, aprendeu a se voltar para dentro, a cultivar sua vida com paciência e amor. Começou a cuidar de seus próprios defeitos e a celebrar suas conquistas sem comparações. Não foi fácil no início, pois o mundo ainda sussurrava suas distrações. Mas ela se lembrava das palavras da senhora: "Conheço o perfume das minhas rosas". 🌹🌹🌹

E assim, Helena descobriu que a liberdade verdadeira estava em seguir seu destino, regar suas plantas e amar suas próprias rosas.🌹O resto, como Fernando Pessoa dizia, era apenas sombra de árvores alheias.

No fim, ela entendeu que cuidar do próprio jardim não é egoísmo, mas uma forma de respeitar a vida — a sua e a dos outros.


Quiz Reflexivo: Olhando Para Dentro

Responda às perguntas com sinceridade, sem pressa. Não há respostas certas ou erradas; apenas reflexões para você explorar.


  1. Se você pudesse descrever sua vida como um jardim, como ele estaria agora?
    • a) Florido e vibrante, mas com alguns espinhos.
    • b) Meio descuidado, precisando de atenção.
    • c) Seco, aguardando uma nova estação.
    • d) Crescendo aos poucos, com potencial.

  1. Qual foi a última vez que você celebrou uma conquista sua, por menor que fosse?
    • a) Hoje mesmo.
    • b) Há algumas semanas.
    • c) Nem me lembro.
    • d) Eu celebro mais as conquistas dos outros.

  1. Quando algo te incomoda em outra pessoa, você consegue identificar o que isso diz sobre você?
    • a) Sempre, e uso isso para aprender.
    • b) Às vezes, mas nem sempre sei lidar com isso.
    • c) Não, acho que o problema é só do outro.
    • d) Nunca pensei sobre isso.

  1. Seus pensamentos costumam ser mais críticos ou compassivos consigo mesmo?
    • a) Compassivos: me acolho quando erro.
    • b) Um equilíbrio: sou crítico, mas tento ser justo.
    • c) Críticos: sou muito duro comigo mesmo.
    • d) Confusos: ora sou gentil, ora me culpo.

  1. O que você está alimentando mais na sua vida neste momento?
    • a) Meu crescimento pessoal e minha paz.
    • b) Minhas preocupações e medos.
    • c) O que os outros esperam de mim.
    • d) Nem sei, estou no automático.

  1. Qual é a sua relação com o tempo?
    • a) Sinto que uso meu tempo para o que realmente importa.
    • b) Tento equilibrar o que preciso e o que quero fazer.
    • c) Vivo correndo atrás, nunca parece suficiente.
    • d) Sinto que perco muito tempo com coisas irrelevantes.

  1. Se você pudesse conversar com o "você" de 5 anos atrás, o que ele/ela diria sobre como você vive hoje?
    • a) "Estou orgulhoso(a) de quem você se tornou."
    • b) "Você está no caminho, continue tentando."
    • c) "Por que você deixou de lado o que realmente importa?"
    • d) "Eu esperava que você tivesse dado mais atenção a si mesmo(a)."

  1. Quando foi a última vez que você se sentiu verdadeiramente presente no momento?
    • a) Hoje ou nos últimos dias.
    • b) Faz algum tempo, mas consigo resgatar essa sensação.
    • c) Não me lembro, minha mente está sempre em outro lugar.
    • d) Nunca senti isso de forma consciente.

Reflexão Final

Ao terminar, observe suas respostas. Que padrões você consegue identificar? Quais áreas da sua vida poderiam se beneficiar de mais atenção ou cuidado? Use isso como um ponto de partida para cultivar o seu jardim interno.


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