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Fluir não é desistir. É deixar ir.

A gente cresce achando que precisa segurar tudo: as certezas que já não servem, as dores que já cumpriram seu papel, os vínculos que já pedem descanso. Mas fluir… ah, fluir é ter coragem de abrir as mãos. É deixar o velho partir, com gratidão, não com guerra, pra que o novo encontre espaço. Porque o novo não chega em casas abarrotadas. Não floresce em solo entulhado. Não dança em corpos que ainda carregam o ontem como armadura. Fluir é esvaziar. É confiar que, ao soltar, você não perde, você liberta. E que há um lugar para onde você vai. Um lugar que você escolheu. Porque sim: precisamos deixar fluir, mas também saber onde queremos chegar. Quem não sabe o que busca, se distrai com qualquer atalho. E quem tem um destino claro no peito… não se perde, mesmo em mar aberto. 𝓢𝓱𝓲𝓻𝓵𝓮𝓲 𝓣𝓮𝓲𝓧𝓮𝓲𝓻𝓪 🌊  Quiz: Você Está Fluindo ou Segurando Demais?  Baseado no texto de Shirlei Teixeira 1. O que você está tentando manter, mesmo sabendo que já não serve mais? a) Uma relação que ...

O Homem da Pedra Brilhante

Havia um homem que vivia num vilarejo pequeno, mas carregava uma ambição grande dentro do peito. Desde menino, ele sentia que havia algo errado com ele. Não sabia dizer o quê — só sabia que, às vezes, parecia invisível. Cresceu com uma ideia fixa: se ele encontrasse a Pedra Brilhante , todos iam enxergá-lo. Acreditava que, com ela nas mãos, ninguém mais o ignoraria. E assim passou a vida procurando. Procurava em mercados, em ruínas, em cavernas, em sorrisos, em aplausos. E, de vez em quando, achava algo parecido: uma pedra cintilante, uma joia falsa, um brilho de espelho. Mostrava pra todo mundo: _— “Olhem! Eu encontrei!”_ E por um instante… era visto. Mas logo o brilho passava. E o vazio voltava. Um dia, sentado à beira de um rio, um velho se aproximou e perguntou: _— “Está buscando o quê?”_ _— “A Pedra Brilhante. Aquela que prova que eu sou alguém especial.”_ O velho sorriu. _— “E se eu te dissesse que ela não está fora de você?”_ _— “Como assim?”_ _— “Você não quer uma pedra. Você q...

A Mulher que se Despiu dos Papéis… e Ainda Foi Amada

Ela passou a vida inteira vestindo-se com cuidado. Papel por papel, palavra por palavra. Vestiu a filha exemplar. Depois, a esposa resiliente. A mãe incansável. A mulher que sabia tudo antes de doer. A que não precisava de ajuda. A que resolvia, servia, explicava. Suas roupas pareciam feitas de funções. E ela se confundiu com os tecidos. Mas um dia, cansada, sentou no chão do quarto e começou a tirar cada uma dessas vestes. Não por raiva, nem por protesto. Por exaustão. Primeiro caiu o manto da que “tem tudo sob controle”. Depois, o avental da que “sabe o que é melhor para todos”. O colar da “inteligente”, os brincos da “boazinha”, o salto da “forte”. E por fim, ficou nua — de alma. Não sabia o que dizer. Não tinha mais frases prontas. Apenas olhava. Foi quando ele entrou no quarto. Viu aquela mulher sem máscaras, sem escudos. Ela achou que ele ia virar o rosto, ou perguntar o que estava “errado”. Mas não. Ele só disse, com a calma de quem enxerga o mar...

A Mulher que Quase Mergulhou

(um conto para quem está à beira da própria liberdade) Ela caminhava pela cidade com o sol nos ombros e uma dor silenciosa entre as costelas. Tinha saído de casa sem olhar para trás. Levava nas mãos um molho de chaves e um travesseiro antigo. As chaves de portas que já não abriam mais nada. O travesseiro de noites em que se deitava ao lado, mas dormia sozinha por dentro. Andava pelas ruas como quem ainda precisava devolver algo — como se, para partir em paz, fosse preciso se despedir até do que nunca lhe foi realmente dado. Passou por lugares estranhos. Um deles, sombrio, carregado de olhares que nunca a viram de verdade. Entrou por engano — ou por destino — e, mesmo ali, ninguém a tocou. Ninguém a reconheceu. Saiu invisível, mas viva. E pela primeira vez, não se sentiu culpada por nada. No caminho de volta, dois homens surgiram. Um pediu moedas. O outro a olhou nos olhos, mesmo ela usando óculos escuros. Ela percebeu: ainda existe quem veja além das defesas. Foram ...